terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Homem-placa

Não ando muito animada em escrever não.
Aliás ando é fugindo de transformar em
palavras certos sentimentos e sensações,
e quando as trasformo, to deixando aqui guardadas no íntimo.
Mas voltei hoje pra falar de cotidiano.
Falar de cenas e situações cotidianas é mais fácil,
ou não, quando internalizamos a desgraça de nossos tempos.
Na verdade, estou falando de uma situação que eu, pelo menos,
nunca tinha visto.
E então não sei se é cotidiano, ou se está para se tornar um.
Um homem placa no semáforo. Até ai nada novo.
Mas acho isso horrível. Geralmente esses homens
e mulheres, jovens e até crianças placas são usados
pra fazer propaganda de políticos, imóveis, venda de ouro.
A troco de uma mixaria ficam ali utilizando seus corpos
como mensagem. Prostitutos de um markenting barato.
Por idéias e produtos sem significado para si.
O de hoje agia por causa própria, aqui na cidade de Salvador.
Mas não sei se isso é vantagem.
Trazia a seguinte mensagem:
S.O.S. Preciso de um emprego.
Edvaldo. 8871-8923
( nº fictício aos desavisados)
Que pedido de socorro. Verbalizado na mensagem.
E escancarado no corpo.
Exposto ali, para comentários, piadas, piedade,
oportunidades, quem sabe?
E exposto aqui em meu blog porque,
Edvaldo, eu precisava falar de você,
que mexeu comigo nessa manhã de hoje.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

A peleja do vento com o coração (sotaqueando em cordel)

E tudo era coisa natural.
Mas se o vento soprasse,
não havia menina que não balançasse.

E mesmo o que parecia sólido como pedra,
se desmanchava no ar na loucura
que se permitem os deuses.

Os prazeres do vento são múltiplos,
quem é que não quer se folha pra voar,
nem que seja um instante a contar.

Pois bem, não sei bem o que foi que houve,
mas um vento estranho bateu por essas terras.
Se veio do mar, quem saberá?
Mas que está cheio de mistérios e encantos, ah tá!
Se os búzios poderão explicar, talvez.
Ponhamos os dias a contar.

O que está sucedendo aqui eu agora vou falar,
é que coração que batia certo,
um pra lá e outro pra cá,
deu agora pra descompassado andar.
Bate um pra lá e falha na hora de voltar.
Pingo d'água deu nó e os sentimentos bagunçaram que só.
Ainda dizem os cablocos que essa é a graça da vida,
pois além de ar e comida, precisa de amor, viola e poesia.

Me diz então cabloco, se com o gozo do vento,
fico inteira e aguento.

Cabloco responde de longe, rindo-se da menina desesperada.
-Finda a tempestade se atente, pois logo que a poeira
se assente, as coisas em ordem vão ficar
e enquanto isso, menina, é rir pra não chorar.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Sexta Feira

Semana cheia. Mil coisas a fazer, a pensar, a produzir...
Uma daquelas semanas que você se vê de pijama, e não sabe se está indo
dormir ou acabou de acordar...
E num piscar de olhos, mas com o corpo já no pó da rabiola,
chega a sexta-feira a noite. Finalmente algumas horinhas livres!
Daí, você toma um banho mais demorado, consegue até se olhar no espelho.
Sozinha em casa.
Coloco um som. Isso, som é muito efetivo nesses momentos.
Quanto mais alto, melhor. Canto vigorosamente junto.
Rede. Quer coisa melhor que rede? Pronto, já tinha o som, a rede e
sim, cigarros!
Acendo um cigarro. Impressionante.
Como pode no tempo de um cigarro pensar
tanta besteira e coisa desconexa junto.
No mísero tempo de um cigarro.
Daí o cigarro chama a cerveja.
Sim, afinal, de cara limpa não dá pra encarar o cansaço da sexta-feira à noite.
Fome... Para os sem pique de cozinhar, macarrão resolve.
Comer sozinha? Não. Ligo a televisão, mas não desligo o som.
Fico com os dois. Assisto um pouco de novela.
Tão fácil acompanhar os problemas assim da novela, né?
Se resolvem fácil, dá pra engolir pronto.
O tempo de tv, a tôa assim, não ultrapassa o da refeição.
A rede volta a me olhar com olhares volupiosos.
Mais uma cerveja, cigarros.
E pronto, o melodrama começa a tomar conta.
Essa mulher melodramática que mora dentro de
mim (mas que eu juro não tem nada haver comigo)
toma conta e me torna visceral.
Flor da pele.
Sente tudo. Ama. Não se aguenta dentro de si.
E é claro, sempre que esse ser se manifesta, a chance de
fazer alguma cagada é certa, porque essa
melodramática quer resolver tudo.
Mas óbvio, é uma inconsequente,
até na política ela se meteria assim.
Dai vai pro blog e escreve sobre o vazio, porque
mesmo com o som nas alturas, o cigarro, a cerveja
e os pensamentos desconexos, o vazio ronda.
Impressionante. Como pode caber tudo de vez?
Por fim cai morta de cansaço. "dorme gente fina e acorda pinel"
como diria Chico.
Sim, acordou com vontade de ser atriz.
Queria fazer uma esquete desses cotidianos infelizes
e comuns. Mas logo esquece. Há coisas mais importantes
por hora.
Mas o quê era mesmo?

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Sobre o vazio

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quando tudo passa, e sobra somente......................................................................................
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..................................................................................................................................................o vazio!

sábado, 1 de novembro de 2008

Sísifo

Me sentindo Sísifo em meio as obrigações, na pedra diária que tenho que empurrar ladeira acima.
O cansaço e a falta de tempo faz com que não esteja conseguindo escrever muito, mas os pensamentos não param, nos pequenos momentos, dentro do ônibus, tomando banho, enfiando o garfo na boca, e por isso me sinto Sísifo, que desafia os deuses por não desistir de pensar, seja como for...
Me deu vontade de dividir duas frases boas de minha semana, a primeira veio de uma palestra muito boa que assisti, é o paradoxo de Gramsci," Viver numa época em que a velha ordem agoniza (levando consigo a civilização) enquanto a nova ordem parece não ser capaz de nascer. Mas, ao menos, pode ser noticiada".
A outra li no blog de Maíra, uma amiga que anda longe, http://cinetextos.blogspot.com/, achei a frase muito boa, é de Abílio Hernandez: “na literatura, de tempo em tempo temos um espaço e no cinema de espaço em espaço construímos um tempo”. Simples e perfeita, não?
Sim, e esses tem sido temas recorrentes em meus pensamentos, questões referentes a crise de nossos dias e nosso estranho tempo! O tempo se perdeu no nosso referencial, já teve épocas em que a humanidade pensou que controlava o tempo, inventou relógio e tals, mas quem ainda pensa em controlá-lo é mais louco que ele, pois ele tem se esvanido de uma maneira bem fora de nossos controles. E daí ficamos reinventando ele e as maneiras de lidar com ele, tentando enquadrar nossa rotina, quase de forma escrava para satisfazê-lo.
E essa nova ordem, de dias e tempos novos, que não chega nunca. Inventamos disco voador vindo pra terra pra nos salvar, teorias, planeta chupão, fim dos tempos, apocalipse. Eu própria me apego a isso pra esperar essa mudança...juro que queria fazer com meus próprios braços, mas não sei. Então sento e espero, ouço todas as teorias, acredito em quase todas num desespero sem palavras para que essa nova ordem chegue logo e como no paradoxo, tem dias que agonizo, quase morro.
Mas como não morro, no dia seguinte continuo empurrando a pedra morro acima até o limite de minha resistência. Observando a inutilidade de trabalhos mil, mas pensando, sempre, em todo e qualquer segundo de tempo. E que me perdoe Zeus, mas vou adiante.
E você Senhor Tempo, bom com você eu me entendo diretamente. Ainda acertamos nossos relógios de acordo com a sua, ou com a minha imaginação, com a sua, ou com a minha loucura.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Velha

Hoje, queria um marido de barbas brancas, filhos criados, uma casa à beira mar rodeada por árvores e um computador.
Ia ficar somente a escrever minhas impressões do mundo, como quem mais nada tem haver com ele.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Pequenos cotidianos

Cabelos oleosos, bem grisalhos. Sombrancelhas largas e grossas, engraçadas, com pêlos apontando para mim.
Redundante e cheio de trijeitos.
Vira e mexe, esquece o zíper da calça aberto.
Em certo ponto de sua fala, começa a acumular aquelas coisinhas brancas ao redor da boca.
Mas hoje teve um novo elemento.
Fez a barba e esqueceu um tufo de pêlos no meio da bochecha direita. Pêlos grandes, lisos e brancos.
Tentei, juro que tentei me concentrar no que esse professor falava. Mas, de repente o tufo de barba saltava aos meus olhos bem na frente das palavras e daí só conseguia perceber que a boca dele continuava mexendo, mas as palavras não faziam mais o menor sentido pra mim.
Mesmo porque o pensamento já estava aqui, no que ia escrever aqui.
OH Zeus!
O resto da aula foi uma tortura. Tive que dar tudo da minha concentração: 1. Para não morrer de rir olhando pra ele; 2. Para conseguir parar de olhar compulsivamente para o tufo de pêlos e
3. Para ver se conseguia aprender alguma coisa, qualquer coisa nessa altura do campeonato já era válido.
Usei diversas técnicas, de tentar só ouvir olhando pra baixo, de olhar para o tufo e esquecer que era engraçado, de prestar atenção só na boca....aff, cansei. Que inferno que foi.



Ah, aproveito pra mostrar o lado de fora da sala de aula, é na praça Piedade, é linda cheio de prédios históricos...cheio de pombas, pessoas e fatos bizarros. Comércios informais, mendigos, gente tomando banho nas fontes, propaganda eleitoral, encontro de familiares que procuram seus entes desaparecidos. Tem de tudo é só procurar.














Essa ai pega a fonte de tantos banhos e a faculdade de economia (dessa matéria que faço) ao fundo, olha eu ali na janela!









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Notícia triste.

Hoje vi a menina do vestido xadrez na faculdade de arquitetura.
Quase não a reconheço, ela finalmente estava sem o vestido xadrez.
Aiiii que decepção, já sabia mas não queria acreditar que ela tinha outras roupas.
Essa era uma calça league preta, blusa preta e chinelo de salto branco,
muito sem graça comparado ao vestido xadrez e as botas.
Foi frustrante, pensei em nem contar aqui pra não estragar a personagem, mas não me senti justa.
Tá ai a informação.