sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Escolhas

ai, socorro!
não consigo escolher nada, não estou me suportando...
não estava mais suportando o layout do meu blog, resolvi mudar,
mas até para mudar essas simples coisas está dificíl,
difícil escolher a cor, o modelo, a letra, ai tudo!
Enfim, fiquei com medo de mim mesma e
resolvi não abusar nas misturas.
Ele está tão sóbrio. Pelo menos ele.

Sobre a S.D.P.P

Odeio com todas as forças a S.D.P.P.
Essas pessoas que são quase um nada,
com pouca força de gente dentro de si.
Essas pessoas se utilizam da S.D.P.P.
para humilhar na primeira oportunidade.
Ontem fui vítima de uma dessas pessoas,
Sempre li sobre o cão farejador que vive
dentro das pessoas, esse cão farejador sente
o cheiro de sangue nas feridas e as persegue
até saciar-se. Ontem uma desclassificada, cujo
cérebro ocupa a porção bundal da figura,
utilizou sua mais baixa S.D.P.P para me humilhar,
para saciar o seu cão farejador as minhas custas.
Sai de lá, sim, sem reação, digerindo atitudes gratuitas,
discriminatórias e me deixei ficar triste, porque ando
sensível demais, flor da pele demais.Mas por figuras assim,
juro que não me deixo mais abalar.
Porque penso, e minha inteligência é minha salvação.
E agora as coisas vão ser bem pensadas e planejadas,
porque meu cérebro não está na bunda, não mesmo.
Não tinha noção que minha branquelísse, meus olhos
verdes, ou sei lá mais o que no meu físico pudesse
incomodar tanto, agora sei.
Sem fazer nada, pelo simples fato de assim o ser,
sem me achar melhor ou pior, sem ser melhor ou pior,
simplesmente por ser.
Digerindo, pensando, pensando muito.
Ah, não sabe o que é S.D.P.P?
Acho que a maioria das pessoas já foi vítima de S.D.P.P,
funcionários públicos se usam bastante disso, porteiros,
policiais, professores, enfim, é um recurso usual e nojento
de nossa sociedade, a síndrome do pequeno poder.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Labirinto

Sentia o vento embaraçando meus cabelos.
Era uma espécie de gozo entregar-me ao seu frescor,
juntamente com as folhas, mostrando-me leve,
mutável, pueril.
Olhava os outros e rindo-me pensava: vocês não vêem o que eu vejo!
E me deliciava só, buscando o máximo da sensação.
Pensava na loucura e em uma amiga que fora convidada pelos loucos
para permanecer no hospício com eles.
E nós, quem nos convidou a ficar aprisionados à Terra,
como vermes sedentos? Devorando o nirvana.
Que comportamento é esse confundido com a liberdade de ser e de viver?
Percorria o meu labirinto interno, o mais longo e
divertido entre todos os labirintos, pois nele, as paredes
são formadas por gente. É, e dos mais diferentes tipos.
E cada um quer orientar meu caminho de acordo com seus saberes.
E cada um tem suas verdades. Seus mitos. Seus medos.
E eu, perdida nessa confusão de pensamentos e
estranha mania de vida, dilacerada pela necrofilia alheia .
Se as pessoas do meu labirinto ficassem estagnadas,
ele seria fácil de percorrer. Mas não,
elas vão mudando de lugar e de repente,
encontro-as formando novos caminhos,
misturadas com outros tipos de gente.
Ao reencontrá-las, conheço melhor seu jeito de existir,
o que muitas vezes me causa repulsão, pois ser humano
é uma mistura de luz e excrementos.
Quando enojada e cansada lembrei que o labirinto
era interno e tudo dependia de mim, destrui ele,
em uma só explosão.
Cega pelas faíscas, momentaneamente, achei que seria feliz.
Porém, num novo toque entre minhas pálpebras,
enxerguei-me livre num imenso vazio.
Percebi, então, que minha liberdade não me levaria a
lugar algum, pois não havia mais nenhum caminho a percorrer.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Falta de terra

Que falta tem me feito a terra.
Tanta, que talvez hoje comeria terra pra me sentir conectada a ela.
Que falta tem me feito a terra, estar sobre algo sólido.
Poder construir, poder plantar, poder criar raízes.
Ficar de um lado pra outro é bom, mas cansa.
Estou etérea demais, aérea demais, pensamento demais.
Preciso de terra. Preciso de chão. Preciso do meu pedaço de chão.
Estou em guerra demais, preciso aquietar o peito, recolher os feridos,
voltar pra casa em paz.
Se poesia fosse concreto, construiria outro mundo.
Se pudesse faria as pessoas de barro,
para que elas não se esqueçam que são da terra.
Para que eu não me esqueça que sou de barro.
O barro que guarda tão bem o silêncio e o som.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Sobre a angústia

Porque não sei o que quero e que querem de mim. Ah, e precisa de mais algum motivo pra sentir angústia?
O que fazem as pessoas que não agüentam o mundo em que vivem e não tem coragem suficiente pra sair dele, por que precisa de muita coragem pra poder se matar e eu que sempre me achei corajosa, percebo-me cada vez mais covarde.
Alguém pode me dizer o que fazer?
Minha cabeça tem estado estranha, esqueci coisas importantes, que vão me fuder... Nossa, e eu que já estou fudida, vivendo sobre pressão interna e externa intensa, consegui me fuder mais um pouco. Por que me traio tanto? Por que faço isso comigo?
Alguma psicologia pra explicar o processo que faz a gente se autodestruir? Estamos num mundo que as pessoas têm câncer, olha isso, iniciar um processo de suas próprias células se dividirem desgovernadamente, trazer o caos da desordem do mundo para dentro do seu corpo. Reproduzir o caos dentro de si. Chega a ser bonito de tão triste que é.
Acho que não iniciei nenhum câncer em mim ainda, mas me sinto trazendo esse caos para dentro de mim, tentando entender essa bagunça, essa lastimável bagunça. E em meio disso, fica difícil lembrar daquela coisa importante para minha vida. Afinal o que é importante tem se perdido tanto por ai, porque também não vai ser perder aqui.
Disse-me Angélica: - olha, do jeito que anda as coisas, dar conta de si próprio por aqui, já é bastante.
Isso porque vivo me preocupando com a vida de todo mundo e deixei a minha virar isso aqui.
E mesmo assim, não deixo de sorrir, de brincar, de olhar para as pessoas nos olhos, de tentar me divertir... Devo ser bem louca mesmo, devo mesmo criar mecanismos de fulga inimagináveis para conseguir viver desse jeito. E pasmem, não me acabo nem nas compras e nem nas comidas.
Se vivemos num Matrix, alguém deve estar puto comigo, porque mesmo assim não me acabo no consumo. Gargalhadas minhas para os donos do sistema que não conseguiram me pegar ainda.
Por outro lado, uma hora vou ter que entrar em uma parte do jogo de novo, preciso voltar a trabalhar, preciso voltar para o “mercado”.
Ninguém por aqui anda fugindo do jogo de precisar ganhar grana e eu também não posso fugir. E pra isso a gente passa por cima de muita coisa que acredita, mesmo que a gente finja, disfarce, não ache que façamos isso com a gente, a gente faz sim, engole a seco muita coisa que não queria, que pensa ser de outro jeito, porque precisamos de emprego e da grana. Esse é nosso mundo, e volto pra pergunta do começo, o que fazem as pessoas que queriam viver de outro jeito? e acrescento: como ser livre?
Uma resposta óbvia é aquela de viver uma vida alternativa, plantar e colher.
Mas eu tenho o rabo preso com uma parte do sistema, tem uma parte do sistema que me interessa. Compro cinema, livros, cds, shows, computador, passagens.
É uma parte mais nobre da nossa sociedade capitalista, é sim! Mas fazer parte da nossa sociedade de informação, de cultura também custa dinheiro e como diz uma cantiga popular que conheço: dinheiro custa a ganhar (pelo menos de forma honesta, sim!). E daí, ficam essas contradições internas. Fica o quero, mas não quero. O faço, mas não faço. Sou, mas não sou. Jogo, mas não jogo. Estou, mas não estou.
O mundo dos que não queriam que ele fosse assim mesmo, que odeia as relações, o jogo sujo, as fragilidades das ligações humanas, o medo, o abuso, o uso, o caos, o tratamento do nosso meio ambiente. Mas ao mesmo tempo quer saber o que é ele, o quanto custa, o que se sabe, o que se faz de arte. Ah, nossas tão belas artes.
Estou lendo: O mal-estar da pós modernidade, do Zugmunt Bauman, aquele que percebe que tudo é líquido...o amor, os tempos, a modernidade...Rapaz, com tanta coisa líquida no que se apegar? Literaturas densas, típicas de como a vida é.
Mas voltando ao livro ainda estou no segundo capítulo, comecei ontem, mas já está borbulhando o primeiro capítulo, o sonho da pureza. Acho que um pouco do meu texto de hoje traz o que já se incorporou do livro em mim, e também de conversas difíceis ao pé do ouvido antes de dormir, e durma com um barulho desses, boa noite.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Dias de Chuva

Dias de chuva dentro e fora.
Olho pela janela é me dá uma alegria ver a chuva caindo, porque sinto como se fossem minhas lágrimas ganhando corpo.
Porque não teria tanta água pra chorar por tudo que queria.
Seria bom se tivesse, talvez esse ódio, esse amor, essa melancolia, esse desespero, essa saudade, essa espiritualidade pudessem sair por ai pra virar rio, desaguar no mar.
Mas talvez não sobrasse nada de mim.

Lembrei dessas palavras de Osho:
O Rio

"Diz-se que, mesmo antes de um rio cair no oceano, ele treme de medo.
Olha para trás, para toda a jornada, os cumes das montanhas,
o longo caminho sinuoso, através de povoados, e vê à sua frente
um oceano tão vasto que, entrar nele, nada mais é do que desaparecer
para sempre.
Mas não há outra maneira.
O rio não pode voltar.
Nem você pode voltar.
Voltar é impossível na existência;
você pode, apenas, ir em frente.
O rio precisa se arriscar e cair no oceano.
E somente quando ele entra no oceano,
o medo desaparece, porque apenas então,
o rio saberá que não se trata de desaparecer
no oceano, mas tornar-se oceano.
Por um lado é desaparecimento e por outro
é uma tremenda ressureição."

Pedaço de Mim

Duas pessoas me falaram que ficaram meio mal lendo meus textos...não sei se acho bom ou ruim!
Também, porque as coisas tem que ser boas ou ruins, mania dualista eterna.
Fiquei pensando no que a gente não quer ver, e como estamos nos acostumando a isso. Escondemos enquanto dá, mas chega uma hora que não dá mais.
Nos ônibus urbanos aqui de Salvador, é comum entrar gente pedindo e vendendo de tudo.
Nesses tempos de bus, já vi de tudo, alejado, aidético, feridas e mais feridas, todos querendo dinheiro para sua dor!
E me percebo fugindo disso -não quero ver sua ferida- olho pela janela.
Não quero expor a minha também!
E essas pessoas são tão abandonadas a sorte que querem tudo, sua energia, atenção, toque, alimento, dinheiro...qualquer coisa, já é alguma coisa!
Tinha épocas que estava sempre inteira, pra isso e pra outras coisas, hoje não, tem dia que falta um pedaço de mim e não posso dar nada.
" É assim como uma fisgada. No membro que já perdi"